Mais uma vez, a conjuntura política nacional fez parte das reflexões em nossas Assembleias. E desta vez, os alertas do MSTL quanto aos riscos que os trabalhadores correriam com a escalada do golpe, tornaram-se ainda mais concretos.
Com a aprovação da admissibilidade de processo contra a Presidenta Dilma Rousseff, no Senado, assumiu um governo provisório, capitaneado pelos conspiradores que articulam e promovem a tentativa de golpe de Estado. Mesmo sendo provisório e com a possibilidade de retorno de Dilma, em 180 dias, este governo já anunciou medidas que visam retirar direitos dos trabalhadores e reduzir ou acabar com programas sociais.
O que isso tem a ver com os nossos projetos?
Eduardo Cardoso, dirigente do MSTL e Coordenador Nacional da CMP, ao analisar a conjuntura nacional, explicou que já se pode perceber uma grande mudança de comportamento na relação do governo provisório com os movimentos de moradia: “Até a semana passada, vivíamos sob um governo que mantinha diálogo com os movimentos sociais. Agora, já percebemos que a relação será difícil. Nunca pedimos facilitação de nada, nem reivindicamos que questões incorretas fossem aprovadas, primeiro por princípio, depois porque o governo da presidenta Dilma não sinaliza esta opção, mas tínhamos condições de dialogar, de buscar uma negociação que garantisse o melhor para nossos projetos. Agora, o que percebemos é o risco concreto de imposição de dificuldades desnecessárias para continuidade de nossa obra, sem diálogo e com claro viés de discriminação, perseguição e criminalização dos movimentos populares”, alertou Eduardo.
Esta análise nos leva a redobrar a vigilância e reforçar a mobilização das famílias para a luta por nossos direitos! “Direito se conquista, não se ganha”, afirmou Miriam Hermógenes, da direção do MSTL, ao convocar os membros dos Projetos Frei Tito e Nelson Mandela à luta! “Não vamos aceitar que um projeto que caminhou com total observância das normas seja penalizado por um governo provisório que pretende privilegiar apenas a elite desse país. Vamos reforçar nossa mobilização e vamos às ruas cobrar o que é nosso por direito”, defendeu Miriam.
Parceiros do MSTL também alertam para os riscos
Importantes parceiros do MSTL participaram da Assembleia do Projeto Frei Tito e reforçaram a preocupação com os retrocessos que se avizinham com o governo provisório.
O deputado estadual Teonílio Barba afirmou que é preciso resistir e enfrentar o golpe através da mobilização popular. Segundo ele, os golpistas vão trabalhar exclusivamente para beneficiar apenas uma classe social, ou seja, os mais ricos: “O que eles querem é, por exemplo, utilizar todos os recursos disponíveis para moradia para beneficiar as empreiteiras que não querem construir projetos populares, pois geram menos lucro. Vão tirar dinheiro do Minha Casa Minha Vida para beneficiar empreendimentos destinados às classes abastadas”.

Já o Secretário de Serviços Urbanos de São Bernardo, Tarcísio Secoli, ressaltou a importância da união dos trabalhadores neste momento difícil de nossa história: “Eu aprendia aqui no Sindicato dos Metalúrgicos, onde fui membro da Comissão de Fábrica da Mercedes Benz e Diretor Executivo, que a esperança e o sonho coletivos são capazes de promover profundas transformações em benefício do povo. É por isso que estou com vocês, vivendo a esperança e o sonho de conquistar mais direitos e na luta para que nenhum desses direitos, tão duramente conquistados, seja retirado por uma elite que acha que pobre não tem direito a viver com dignidade”.

Em nome do nosso anfitrião, a Diretora Executiva do Sindicato dos Metalúrgicos, companheira Ana Nice, também ressaltou a importância da luta organizada nesse momento: “O nosso Sindicato está de portas abertas a vocês e está ao lado do MSTL e da CMP na luta contra o retrocesso. Um retrocesso que pode ser visto na composição do ministério do governo provisório, onde as mulheres foram esquecidas. Um ministério que tem sete investigados na Lava-Jato, além do próprio presidente provisório. A luta de vocês não pode ser apagada e a conquista da casa própria, cada vez mais próxima, vai depender de um reforço na mobilização”.
Também representando o Sindicato dos Metalúrgicos, o Diretor José Paulo colocou a casa à disposição do MSTL e assumiu o compromisso de cessão do espaço para realização de nossa festa que marcará o início das obras.
Eduardo Cardoso afirmou, ainda, que se as famílias demonstrarem essa disposição de luta e participarem efetivamente das mobilizações, dificilmente o governo provisório conseguirá impedir o início e conclusão das obras: “É preciso que todos tenham clareza de que estamos falando de um projeto modelo, tanto no ponto de vista arquitetônico quanto social, com 800 famílias, em uma grande cidade. Tudo isso tem um peso importante, mas não tenho dúvidas de que só a pressão exercida por nossa mobilização será capaz de impedir qualquer retrocesso. Eu já avisei que eles não terão trégua de nossa parte: vamos demonstrar nossa união e nossa força onde quer que seja necessário”.