Além de convocar seus militantes e famílias atendidas nos projetos Frei Tito e Nelson Mandela, o MSTL também vai apresentar propostas de ação e uma moção de repúdio para apreciação dos delegados e delegadas da 4ª Conferência da Cidade de São Bernardo.
Para ser encaminhada à ser transformada em documento oficial da Conferência, a moção precisa ser aprovada pela maioria dos delegados. Com o intuito de agilizar seu conhecimento e permitir que todos tenham acesso antecipado ao seu teor, publicamos aqui a proposta:
Moção da 4ª Conferência Municipal da Cidade de São Bernardo do Campo em repúdio à onda conservadora e ao tsunami fascista
Nós, delegados presentes à 4ª Conferência da Cidade de São Bernardo do Campo, repudiamos a onda conservadora que tem inundado a política brasileira, o conservadorismo que violenta a tolerância e os direitos das pessoas, que propõe o extermínio da divergência, que vangloria-se da seletividade do Judiciário e festeja a parcialidade da máfia midiática.
Repudiamos aqueles que se mostram coniventes com o roubo do patrimônio nacional e com os crimes de lesa-pátria e lesa-democracia cometidos pelos golpistas. Nesta semana, a lascívia dos golpistas pelo poder deflagrou o canibalismo entre as instituições brasileiras - o presidente do Senado ameaça o impeachment do procurador geral da República porque esse pediu sua prisão e de outros líderes do golpe. Nas palavras do professor Nilson Lage, “a aliança entre ladrões de linhagem nativa e justiceiros movidos a dólar não poderia dar em outra coisa senão num conflito aberto de interesses”.
Nós, que lutamos há décadas no Brasil pela ampliação da democracia e da participação popular, pelos direitos das pessoas e contra todas as formas de violência, educando e mobilizando a população sobre seus direitos, elaborando e promovendo políticas públicas criativas e inovadoras, consideramos TEMERÁRIO o contexto de desagregação política e ruptura democrática que vivemos nos últimos anos e, principalmente, a depravação que o impeachment sem crime - o golpe - tem provocado no conjunto das instituições brasileiras. Desde a farsa do mentirão, passando pelas manifestações de junho de 2013 (que foram raptadas pelos golpistas) e culminando no golpe do impeachment - o golpeachment - constatamos o rompimento das condições mínimas de diálogo. Por isso não reconhecemos o interinato do corrupto golpista Michel Temer e a escumalha que o sustenta: deputados cassados, senadores processados, amplos setores corruptos do Judiciário, o oligopólio midiático mafioso e as elites nacionais e internacionais, todos ávidos em saquear nossos bens e direitos adquiridos.
O golpismo revela-se na escalada da violência contra os movimentos populares, na supressão de direitos adquiridos, na extinção de políticas sociais premiadas no mundo inteiro, no sufocamento da indústria nacional, no cancelamento da democracia, no aprofundamento da crise fiscal, nos aumentos salariais obscenos que privilegiam a alta burocracia estatal. Revela-se nas agressões, violações e até no assassinato de pessoas, geralmente as mais pobres e vulneráveis como a juventude negra, os indígenas e as mulheres. São situações e atitudes que demonstram que diante do golpismo descarado nossa luta deverá ser redobrada e incansável. O ministério misógino montado pelo interino golpista é prova irrefutável da violação cometida contra a nação - e seus líderes criminosos e assassinos são o retrato acabado da devassidão que orienta a política destes fascistas usurpadores.
Assim, onde se juntarem duas pessoas para combater o golpe, ali estará presente a democracia. Em cada reunião, fórum, encontro, seminário e conferência que estivermos presentes, ali denunciaremos os golpistas e combateremos essa ditadura com rigor e convicção democrática. A onda conservadora que os golpistas surfam hoje está rapidamente se transformando num tsunami fascista, que afogará a todos. A brutalidade das forças de segurança, que executam crianças com tiro na cabeça e exterminam jovens da periferia, a desfaçatez de parlamentares acusados, que usurparam o voto soberano, e a imbecilização da sociedade, que promove a violência contra o diferente, nos estimulam a lutar mais e mais para o esclarecimento popular e o engrandecimento da vida comunitária e pacífica.
Repudiamos, veementemente, o extermínio da juventude negra, os massacres de trabalhadores rurais e urbanos, as chacinas dos povos indígenas. Repudiamos o feminicídio, a transfobia e a homofobia. Repudiamos o machismo, a misoginia, a desigualdade de gênero, a cultura do estupro e a violência contra a mulher. Repudiamos o fanatismo, a hipocrisia, a mentira e o cinismo. Repudiamos a corrupção e a sonegação. Repudiamos a poluição e os crimes ambientais. Repudiamos a intolerância, a agressão, o preconceito, o racismo e o ódio.
Lutaremos, até o fim, contra a repressão fascista anunciada pelos golpistas e contra o aprofundamento da criminalização dos movimentos sociais. Lutaremos por milhões de famílias que correm o risco de voltar às condições miseráveis de fome, de desabrigo, de abandono. Lutaremos para que nenhuma gota do Pré-Sal vá para as mãos das multinacionais e que seu lucro seja aplicado em Educação, Saúde e Programas Sociais. Lutaremos por verdadeiras mudanças, especialmente as que podem ser promovidas através de uma Constituinte Exclusiva para Reforma do Sistema Político.
Lutar, sempre!
Temer, nunca!