No dia 8 de outubro, revolucionários, militantes socialistas e lutadores do povo vão refletir sobre os 50 anos do assassinato de Che Guevara. Capturado pelo exército boliviano, com apoio da CIA, em La Higuera, no dia 7 de outubro de 1967, Che foi executado no dia seguinte (apesar de controvérsias sobre a data correta, que pode ter sido no própria dia 7 ou até no dia 9), pois seus algozes consideravam que sua prisão provocaria uma comoção mundial, com amplas campanhas por sua libertação. Também consideraram que seu enterro em local conhecido poderia gerar “peregrinações” em sua homenagem, por isso, seus restos mortais foram enterrados em uma vala comum em Vallegrande, onde ficaram secretamente até 1997. Resgatados pelos cubanos, os corpos de Che e de outros guerrilheiros foram levados para Cuba e hoje repousam em um mausoléu na província de Santa Clara.
Mas, porque um político como Che ainda desperta tanta admiração e paixão? A resposta a esta pergunta foi dada pelos professores Marcelo Buzetto e Gabriela Ortega, durante debate realizado no Espaço de Formação Paulo Freire – MSTL, no dia 20 de setembro: Che Guevara foi um líder, revolucionário, socialista, intelectual e, acima de tudo, um apaixonado defensor da libertação humana. São estas qualidades que fazem dele este ícone do século XX.
Biografia
Apesar de ter sido um dos grandes líderes da Revolução Cubana, ao lado de Fidel Castro, Raul Castro e Camilo Cienfuegos, Ernesto Rafael Guevara de La Serna era argentino, nascido no dia 14 de junho de 1928, na cidade de Rosário. Filho de Ernesto Guevara y Lynch, renomado professor de Direito, congressista e embaixador, e de Celia de La Serna y Llosa, de família aristocrática. Desde criança sofria com asma, motivo pelo qual foi dispensado do serviço militar.
Em 1944, as finanças da família iam mal e Che Guevara passou a trabalhar como funcionário da Câmara de um vilarejo próximo. Em 1946, a família se mudou para Buenos Aires e em 1947, Che ingressou no curso de medicina na Universidade de Buenos Aires. Seu gosto por aventuras pouco convencionais o levou a interromper os estudos no terceiro ano e percorrer sozinho durante seis semanas, boa parte do norte da Argentina em uma bicicleta na qual adaptou um pequeno motor.
De volta a Buenos Aires, Che retornou à universidade e após concluir o quarto ano consegue uma credencial de enfermeiro para trabalhar em navios da petrolífera estatal. Sua primeira viagem durou seis meses a bordo do Anna G, no qual percorre toda a costa sul-americana até chegar a Trinidad e Tobago no Caribe. Nessa época escreveu seu primeiro ensaio, “Angustia”.
Retorna aos estudos e idealiza, com seu amigo Alberto Granado, a aventura de percorrer toda a América Latina, saindo de Córdoba até chegar aos Estados Unidos a bordo da “La Poderosa”, uma motocicleta Norton de 500 cilindradas, de propriedade de Alberto. Em 14 de janeiro, os amigos iniciam a viagem. Foram seis meses de estrada, inicialmente percorridos na moto, depois de carona, a pé e em alguns trechos de avião. As enormes contradições sociais da América Latina reforçaram seu ideal socialista.
Em 1953, Che Guevara conclui o seu curso de Medicina. Seu foco era na área de imunologia. Foi convidado pelo Dr. Pisani para trabalhar na clínica especializada em alergias mas, já com as ideias revolucionárias, partiu para a Guatemala, país que havia passado por uma reforma agrária que contrariava os interesses de empresas norte-americanas que exploravam o mercado de banana. Nessa época intensificou os estudos sobre teorias políticas e medicina social. Desde sua primeira aventura, Guevara deixou tudo registrado em um diário.
Em 1954, no México conhece Fidel e Raul Castro, exilados depois do golpe de estado de Fulgêncio Batista, apoiado pelos americanos. Em seguida, Guevara se integra ao Movimento Nacional Revolucionário e participa, em 1956, do levante para a derrubada do governo de Fulgêncio. Em janeiro de 1959, após vitórias decisivas, Guevara, Fidel e Raul Castro ocupam Havana e são saudados pela população. Com as mudanças política no país, Fidel nomeia Che Guevara para presidente do Banco Nacional e mais tarde para Ministro da Indústria.
Ao longo dos anos em Cuba, seus ideais o impulsionaram a ajudar na organização de outras revoluções. Assim, em 1965, Che foi para o Congo, na África, com outros 100 cubanos, para auxiliar na luta contra a ditadura do General Mobutu. Com o fracasso, seguiu para a Bolívia, onde organizou um grupo guerrilheiro, com o objetivo de unificar os países da América Latina sob a bandeira do socialismo. Durante seis meses, sem o apoio dos camponeses, Guevara e seus comandados vagaram pelas montanhas, até serem descobertos pelo exército boliviano. No dia 7 de outubro de 1967, Che foi capturado e no dia seguinte, morto a mando do Coronel Zentero Airaya.
Che nos deixou uma extensa obra literária, que precisa ser estudada por todos os que lutam por justiça e igualdade, mas seu exemplo de revolucionário continua sendo o grande ensinamento: colocar em prática aquilo que se produz intelectualmente!
Leia também:
A memória e a tradição dos oprimidos
Por Michael Löwi
O legado de Guevara
Por João Pedro Stédile
Montando a motocicleta do meu pai
Por Aleida Guevara