Notícias

Militantes do MSTL uniram-se a dezenas de entidades filiadas à CMP, em manifestação na Avenida Paulista. Reforma política, luta pela água, defesa da Petrobras e dos direitos dos trabalhadores deram o tom da atividade

8 marçoNem mesmo a forte chuva que caiu sobre a Avenida Paulista foi capaz de arrefecer o ânimo das mais de 8 mil mulheres que participaram do Ato Unificado do 8 de Março. O MSTL, junto com dezenas de entidades filiadas à CMP – Central de Movimentos Populares, organizou as manifestantes, que realizaram um ato político em frente ao prédio da TV Gazeta e depois marcharam pela Paulista até a Praça Roosevelt.

Miriam Hermógenes, da direção do MSTL destacou a importância da atividade: “Unificar as lutas das mulheres, deixando de lado as naturais e até saudáveis divergências entre as entidades, é fundamental para amplificar nossa voz e fazer com que esta sociedade machista nos ouça. Vivemos um momento em que nós somos prejudicadas pelo governo estadual, que fracassou na questão do abastecimento de água, e que quer impor uma ordem conservadora em SP. Enquanto falta água na torneira, o nosso trabalho, a discriminação e a violência, aumentam”.

Genilce Gomes, Coordenadora Técnica Social dos Projetos Nelson Mandela e Frei Tito, falou em nome da CMP no ato. Ela ressalta que as mulheres pobres e as negras são as que mais sofrem com a violência e a discriminação e afirma que o momento é de permanecer nas ruas, na defesa dos direitos da classe trabalhadora: “Não podemos deixar de perceber que esta onda conservadora que tenta crescer no país afeta, principalmente, as mulheres. Por isso, vamos continuar lutando, não só para garantir os direitos que conquistamos nos últimos anos, mas para ampliá-los”.

Trabalhadoras continuam sendo discriminadas. Plebiscito Constituinte para fazer a reforma política é uma das saídas!

8 março 15A desigualdade no momento de promover e abrir espaço às trabalhadoras nas empresas também foi lembrada pelas manifestantes. Os bancos são um bom exemplo. Mesmo sendo 52% de bancárias, elas ocupam somente 0,3% dos cargos de direção. “E isso ainda porque temos uma cláusula de igualdade de gênero e raça em nossa convenção coletiva nacional. A questão exige ainda mais mobilização nossa para que essa diferença seja combatida”, disse Maria Rosane Hashizumi, secretária de Relações Sindicais e Sociais do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

No serviço público, apesar da aprovação ser por meio de concursos, o preconceito se dá de outra forma. Em São Paulo, o governo comandado por Geraldo Alckmin (PSDB) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a licença-maternidade de funcionárias públicas em estágio probatório – período de avaliação por três anos que antecede o período de estabilidade.

“Como a CMP e outras 507 entidades que compõem uma campanha em defesa de uma Constituinte exclusiva e soberana para discutir o sistema político, acreditamos que o momento é de radicalizar a democracia”, defende Miram Hermógenes.

Um plebiscito popular realizado em setembro de 2014 colheu quase 8 milhões de assinaturas para que o Congresso convoque a consulta. A estratégia é manter a pressão popular para que a reforma política defendida pelos movimentos sociais e sindical avance no Congresso. Um dos pontos principais reivindicados pelo Plebiscito Constituinte é a paridade entre homens e mulheres nos parlamentos.